Intercâmbio Virtual é tema de webinar realizado pela FAUBAI

As inovações acadêmicas proporcionadas pelo Intercâmbio Virtual (Virtual Exchange ou VE), as perspectivas, oportunidades e as experiências de instituições brasileiras com essa modalidade de intercâmbio foram alguns dos tópicos apresentados no webinar “Internacionalização em Casa via Intercâmbios Virtuais”, realizado no dia 20 de maio pela FAUBAI – Associação Brasileira de Educação Internacional.

O evento online faz parte das Quartas Virtuais, uma série de webinars abordando o Programa BRaVE – Brazilian Virtual Exchange, modalidade de aprendizagem colaborativa on-line que promove o contato intercultural e o intercâmbio de ideias.

No primeiro dia da programação, a Diretora Executiva da FAUBAI, Renee Zicman, foi a moderadora do debate, que contou com a participação da Presidente da FAUBAI, Maria Leonor Alves Maia, Coordenadora do BRaVE UNESP, Ana Cristina Biondo Salomão, do Coordenador  de Projetos Colaborativos Internacionais do Centro Paula Sousa, Osvaldo Succi e do Coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação da FMO, Paulo Goes. O Assessor de Relações Externas da UNESP, José Celso Freire Júnior, foi o organizador do webinar.

Para iniciar as discussões, os palestrantes explicaram que o Intercâmbio Virtual é uma modalidade de intercâmbio com uma abordagem prática, alinhada com as políticas de internacionalização. O VE integra a interculturalidade com o alcance da tecnologia digital.

Por meio desse intercâmbio, é possível construir conhecimento, conectar pessoas geograficamente distantes, conectar salas de aula e promover a troca de ideias. Para organizar essa experiência, as Instituições de Ensino Superior precisam de um parceiro internacional e ferramentas para promover uma comunicação síncrona e assíncrona (Zoom, Skype, Moodle, entre outras).

Além disso, é preciso planejamento, monitoramento e avaliação, como destacou a Presidente da FAUBAI, Maria Leonor. A presidente, e também diretora da Diretoria de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pernambuco, explicou que implantar um programa de VE é um teste para o conceito de internacionalização adotado por cada universidade. E enfatizou: esse conceito precisa ser transversal e passar pelos pilares de ensino, pesquisa e extensão.

Segundo a Coordenadora do BRaVE UNESP, Ana Cristina Salomão, o Intercâmbio Virtual não é um assunto tão novo no Brasil. Em 2006, a UNESP iniciou o Projeto Teletandem, voltado para aprendizagem de línguas. No projeto, alunos participavam de sessões de troca de idiomas, com estudantes de outros países. A FATEC Americana iniciou projetos colaborativos internacionais em 2012 e em 2017 surgiram as primeiras ideias para o programa BRaVE. Hoje, a ideia é  que IES de todo o país possam participar do programa e inserir o Intercâmbio Virtual em suas realidades acadêmicas.

Salas de Aula Virtuais

Durante o webinar, foram compartilhadas as experiências de Intercâmbio Virtual na UFPE, UNESP e Centro Paula Sousa. Nas três instituições, a experiência surgiu da necessidade de oferecer experiência internacional para um número maior de estudantes. NA UFPE, por exemplo, menos de 2% dos alunos têm oportunidades de realizar intercâmbio clássico, segundo dados apresentados por Maria Leonor.

Para as IES, o Intercâmbio Virtual foi a chance de internacionalizar os currículos acadêmicos e incorporar na graduação o Blended Learning, ação de integrar os ambientes físicos e virtuais de uma sala de aula.

Na UNESP, uma das disciplinas que utilizou o VE foi Introduction to Robotics, criada especialmente para abrigar a experiência do intercâmbio, e oferecida aos alunos como eletiva. Os alunos brasileiros dividiram a disciplina com estudantes americanos da De Paul University, parceira internacional da UNESP. No cronograma de atividades, um projeto prático: criação de robôs. Cada turma ficou responsável por desenvolver um protótipo robótico e uma competição entre as duas classes foi realizada.

Outra disciplina que utilizou o VE em seu desenvolvimento foi a Urban Plant Ecology and Botane, em que o projeto final consistia em uma apresentação sobre a vegetação em cada época do ano de cada país dos alunos participantes.

NA UFPE, a disciplina com a experiência virtual internacional foi Social Business, que integrou cursos de Ciências Contábeis, Administração de Empresa e Geografia. As aulas foram em parceira com a SUNY Nassau Community College, faculdade norte-americana. Desenvolvida em 9 semanas, a disciplina utilizou diversas ferramentas digitais para envolver os estudantes nas atividades práticas. Para compartilhar as demais experiências de VE, a Universidade Federal de Pernambuco criou um portfólio online, disponível no site da Diretoria Relações Internacionais.

O Centro Paula Souza desenvolveu disciplinas ao lado da parceira State University of New York. Segundo Osvaldo Succi Júnior, são 20 projetos desenvolvidos semestralmente na instituição, e mais de 500 alunos envolvidos em cada período. Para superar alguns desafios impostos pela língua, conforme explicou Osvaldo, a CSP incentiva os professores a trabalharem em pares, envolvendo um docente de Língua Inglesa no processo. O objetivo da instituição paulista é, até o primeiro semestre de 2021, ter 1000 alunos envolvidos com as ações de Intercâmbio Virtual.

Desafios, Perspectivas e Oportunidades

Para os representantes das três IES, os professores precisam estar dispostos a saírem da zona de conforto para iniciarem disciplinas de Intercâmbio Virtual. A internacionalização da sala de aula envolve um processo de reestruturar essa sala e refletir sobre a flexibilização curricular dos cursos. Portanto, é preciso que os professores contem com o apoio das instituições, principalmente das Pró-Reitorias de Graduação e dos Escritórios de Relações Internacionais. Além disso, o corpo docente precisa entender que o VE é importante para o processo de formação dos estudantes e, por isso, deve se tornar uma atividade coletiva. As inovações pedagógicas envolvem professores e estudantes, e com essa modalidade de intercambio, ambos podem repensar suas práticas e incorporar novos saberes.

Ao planejar as ações internacionais, a universidade precisa considerar que o objetivo é capacitar  um cidadão com formação para além do que ele precisa no mercado de trabalho e dar a ele um visão global, uma capacidade de resolver problemas locais com visão internacional.

Durante o webinar, Maria Leonor citou que é importante a institucionalização do Intercâmbio Virtual, para que as disciplinas possam ser ofertadas de maneira convencional, dentro do sistema da universidade. A Presidente da FAUBAI destacou a importância do fomento e disponibilização de recursos para ações de VE, principalmente para dar oportunidade aos professores de participarem de treinamentos nas instituições internacionais parceiras. Ela destacou, também, que essa experiência não deve acentuar as desigualdades sociais dos estudantes.

Para saber mais

Programas de Intercâmbio Virtual em outros países

CIOL – State University of New York
GLE Global Learning Experiencia – De Paul University
Global Classroom – Drexel University
OIL – Online International Learning Conventry University
Unicollaboration – Diversas IES europeias. (https://www.unicollaboration.org/)

Leia sobre

Intercâmbios virtuais e a internacionalização em casa: Reflexões e implicações para a Linguística Aplicada: ANA Cristina, Revistas Estudios Linguísticas.

Programação Quartas Virtuais – Webinars Programa BRaVE – 15h00-16h30

  • 27/05 International Experiences of Virtual Exchange (em inglês)
  • 03/06 Experiências na UFPE, UNESP e CPS (em português)
  • 10/06 International Centers of Virtual Exchange (em inglês)

Por Alessandra Medina
ARI/UEMA

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